Pagamento instantâneo promete custo baixo a pequenas fintechs

Empresas financeiras menores ou iniciantes terão a possibilidade de pagar a uma fornecedora de segurança digital somente um percentual das transferências feitas

As pequenas fintechs poderão aderir ao sistema de pagamentos instantâneos (SPI) sem desembolsar grandes valores para montar a sua infraestrutura de segurança. Empresas financeiras menores ou iniciantes terão a possibilidade de pagar a uma fornecedora de segurança digital somente um percentual das transferências feitas pelo SPI, de acordo com Marco Zanini, CEO da Dinamo Networks. Isso livraria essas companhias dos altos investimentos iniciais necessários aos grandes bancos, por exemplo.

Vencedora de licitação feita pelo Banco Central (BC) no ano passado, a Dinamo é a responsável por montar toda a infraestrutura de segurança dentro da qual funcionará o SPI. A partir daí, cada instituição financeira ou fintech que quiser aderir ao novo sistema precisará contratar a sua própria provedora de segurança. Em linhas gerais, a infraestrutura necessária para evitar fraudes em um pagamento instantâneo não é tão distinta da usada em uma transação bancária convencional, de acordo com Zanini. No entanto, o fato de as transações pelo SPI poderem ser realizadas a qualquer momento coloca um desafio adicional. A China é apontada como o país que, até agora, melhor soube lidar com os riscos apresentados pelo novo sistema. “É o maior exemplo por causa da velocidade das transações e porque o mercado é gigantesco”, diz.

A previsão é que os investimentos dos grandes bancos para montar a sua própria infraestrutura seja de aproximadamente R$ 10 milhões. Mas o desenho do SPI também abre espaço para a atuação de empresas novas ou de menor parte, como aplicativos de transferência de recursos, segundo Zanini.

Independentemente do tamanho, todas as companhias precisarão ficar atentas a dois fatores principais quando forem contratar as fornecedoras de segurança. “Um é a autenticação que garante quem está fazendo a transação”, diz. “Se a transação vai do banco A para o banco B, o B precisa ter certeza que a transação veio do A. Porque depois não pode haver o que a gente chama de repúdio, que é o cara negar que foi ele que mandou o dinheiro. Imagina que o banco A mande R$ 100 para o B, que entrega os R$ 100 para o cliente, mas depois o banco A diz que não enviou os R$ 100?”

Com base em dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), ele calcula que o mercado do SPI está na casa dos R$ 578 bilhões anuais. Isso exigirá que as empresas financeiras prestem atenção ao segundo fator: a criptografia, ou o embaralhamento das informações digitais, “de alta performance”.
“O volume de transações será muito grande, porque o pagamento de pequenos valores será feito pelo SPI”, diz. “O cara paga o café da manhã na padaria, o almoço no restaurante, o estacionamento, o transporte coletivo, mas não vai querer ficar na frente do caixa por 30 segundos esperando o pagamento ser processado. Isso precisa ser imediato e exige que equipamentos especializados. Computadores comuns não foram criados para fazer operações matemática complexas, de criptografia.”

Por causa de todas as exigências, “não passa de dez” em todo o mundo o número de companhias com capacidade técnica para oferecer serviços de segurança para o SPI.

Pela construção da infraestrutura de segurança do SPI, o BC pagará à Dinamo R$ 1,6 milhão. “Oferecemos um produto que atendia às especificações com o melhor preço”, diz Zanini. A companhia poderá oferecer seus serviços também para bancos e fintechs que aderirem ao novo sistema, que entrará em vigor em novembro.

FONTE:  Estevão Taiar — O Valor, De Brasília

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